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Suspeitas de ligação da família Bolsonaro com milicianos investigados no caso Marielle Franco, afeta negativamente a imagem do Brasil no mundo

Resultado de imagem para Bolsonaro e milícia detona imagem do Brasil
O Delegado Lages driblou as obstruções e deu celeridade as investigações, mas a prisão de líder miliciano incomodou gente poderosa no estado e ao que tudo indica, o delegado Giniton Lages, responsável por conduzir a investigação da morte da ex-vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, será afastado do caso pela Polícia Civil. Segundo Lauro Jardim de O Globo, oficialmente o motivo que será dado para o afastamento será de que o Delegado Lages já cumpriu sua missão à frente do caso.


Em coletiva, o chefe da Divisão de Homicídios da capital fluminense, Giniton Lages, deu detalhes sobre a operação que prendeu dois suspeitos de participar da morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

Namoro

Aos jornalistas, Giniton confirmou que a filha do sargento reformado da PM, Ronnie Lessa, que efetuou os disparos, namorou o filho mais novo de Jair Bolsonaro. Lessa e Bolsonaro são vizinhos no condomínio Vivendas Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio, onde o acusado foi preso.

O desconforto de Bolsonaro com a solução do crime ficou patente em uma rápida conversa com jornalistas na tarde desta terça: Em entrevista, Bolsonaro colocou em dúvida o trabalho feito pela polícia e o ministério público na prisão do sargento reformado Ronnie Lessa e do ex-policial Élcio Vieira de Queiroz. “Espero que realmente a apuração tenha chegado de fato a quem foram os executores, se é que foram eles, e a quem mandou matar”.

Agentes da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil do Rio de Janeiro fazem uma nova operação, na manhã desta quarta-feira (13), para cumprir 16 mandados de busca e apreensão no caso da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. O foco dos policiais são documentos, celulares e computadores que possam ajudar nas investigações.

Entre os endereços estão imóveis relacionados a três PMs e um bombeiro militar. No início da manhã, os agentes do Ministério Público e da Polícia Civil faziam buscas na casa do bombeiro Maxwell Simões Correa, conhecido como Suel, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade.

Apareceu o primeiro vínculo concreto entre a família de Jair Bolsonaro e a de Ronnie Lessa: um dos filhos de Bolsonaro namorou a filha de Lessa. O fato foi confirmado pelo delegado responsável pela Divisão de Homicídios da capital fluminense, Giniton Lages, durante a entrevista coletiva sobre a prisão de Lessa e do outro assassino, o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz. Bolsonaro e Lessa moram no mesmo condomínio na Barra da Tijuca, no Rio. Com os filhos namorando, que tipo de relação estabeleceu-se entre as duas famílias?

Num trecho quase inaudível da entrevista, um repórter não identificado pergunta: "Está confirmado que o filho mais novo de Bolsonaro namorou ou namora a filha de Ronie Lessa?". Lages responde: "Está confirmado, mas isso não é objeto de investigação neste momento". Em seguida, afirma: "Mas poderá ser mais pra frente". Neste momento, Lages foi interrompido por alguém que não foi possível identificar na transmissão e o assunto desaparece da agenda.

O filho mais jovem de Bolsonaro é Jair Renan Bolsonaro,de 20 anos, mas o nome dele não foi mencionado na pergunta nem na resposta.

Essa pode permanecer apenas como a faceta mais anedótica da investigação, mas há, no entanto, motivos mais profundos pelos quais o caso Marielle se tornou radioativo para os Bolsonaro. Um deles é de ordem política e de responsabilidade exclusiva do presidente e de sua família. Quando Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram assassinados, há um ano, Bolsonaro foi o único presidenciável a não comentar ou condenar a execução, um crime que cruzou a linha vermelha da violência política no Brasil antes mesmo do atentando contra o agora o presidente. 

Um dos filhos do mandatário também criticou duramente quem levantava suspeitas sobre policiais. Não foi exatamente uma surpresa. Em 2011, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro achou oportuno frisar, por exemplo, que a juíza Patrícia Lourival Acioli, executada após viver anos como jurada de morte por grupos de extermínio, gostava de "humilhar policiais.
 
Editor do 247, Leonardo Attuch fala sobre como a ligação da família Bolsonaro com as milícias do Rio, investigadas pelo assassinato de Marielle Franco, afeta negativamente a imagem do Brasil no mundo

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