Em Gramado, Bruna Marquezine comenta cenas de nudez e drogas em filme: ‘Não foi uma preocupação’

Em sua estreia como protagonista no cinema, no filme “Vou nadar até você”, exibido nesta segunda-feira em competição no 47º Festival de Gramado, Bruna Marquezine deixa um pouco de lado o glamour pelo qual é conhecida — no Instagram, costuma compartilhar com seus 36 milhões de seguidores fotos ostentando roupas de marca — para aparecer nua (em mais de uma cena) e fumando maconha. Mas, para a atriz e modelo de 24 anos, essas passagens não foram um problema.
Bruna Marquezine em cena de 'Vou nadar até você' Foto: Divulgação
— Não são cenas gratuitas, fazem parte da história. Não foi uma preocupação. O foco era fazer arte, e o ambiente no set era de parceria e liberdade. Todo o resto vira pequeno — diz a atriz, que se emocionou ao dedicar a sessão aos pais.

Boa parte do filme é composta por cenas em que Bruna Marquezine caminha por vários minutos, sem diálogos, e faz poses sensuais para a câmera de Klaus Mitteldorf, estreante na direção de longas.

Bruna interpreta Ophelia, uma fotógrafa que decide nadar de Santos até Ubatuba, em São Paulo, para encontrar o pai, um alemão (vivido por Peter Ketnath, de "Cinema, aspirinas e urubus", 2005) que a abandonou antes de ela nascer. No caminho, faz paradas em portos, praias e hotéis baratos; observa o horizonte e fotografa pessoas aleatórias; pede carona para desconhecidos à beira da estrada, esbarra com gente de caráter duvidoso, é assaltada e chora, entre outros perrengues.

Críticas à 'objetificação' do corpo
As cenas de nudez, porém, foram problemáticas para alguns espectadores. No encontro da equipe com a imprensa, nesta terça, uma pessoa demonstrou incômodo como a câmera “fetichiza” e “objetifica” o corpo de Bruna (algo que não faz com os atores masculinos), em especial quando ela aparece sem roupa numa banheira e numa cama de hotel. O questionamento foi aplaudido.

 — Talvez você não tenha entendido algumas coisas — rebateu o diretor Klaus Mitteldorf, que também é fotógrafo. — São cenas naturais. A parte da banheira tem ligação com trabalhos que fiz nos anos 1990. Sempre trabalhei com a plasticidade dos corpos, inclusive de mulheres, e isso ficou bem representado pela Bruna.

O cineasta encerrou afirmando que “ esta é uma questão sobre minha arte” e que não falaria mais sobre o assunto.

Embora já tenha feito participações em alguns longas, como “Xuxa em o mistério de feiurinha” (2009), esta é a primeira vez em que Bruna assume o papel de protagonista no cinema.

— Sempre tive necessidade artística de fazer cinema, mas sempre emendei trabalhos na TV, não tinha tempo para me dedicar a um projeto com o qual me identificasse — explica Bruna, cujo último trabalho foi na novela “Deus salve o rei”, da TV Globo. — Eu me encantei com a Ophelia. Não acho que escolhi fazer ela. Ela que me escolheu.

A atriz descreve a aventura pela qual passa sua personagem como uma jornada de autoconhecimento.

— Eu também entrei nessa jornada de autoconhecimento — disse ela, que fez aulas de natação para se preparar fisicamente. — conversei com muitos nadadores e descobri como era sagrado pra eles estar na água, assim como pra minha personagem, que sente mais confortável dentro d’água do que fora dela.

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